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Jornal A Alvorada: uma construção da identidade negra em Pelotas e no RS

Em 1907 iniciava o jornal que seria reconhecido como “a voz da população negra em Pelotas”. O Jornal A Alvorada foi idealizado e produzido pelos intelectuais negros Antonio Baobab, Rodolfo Xavier, Juvenal e Durval Marena Penny. A ideia surgiu devido à necessidade de representatividade negra nos espaços sociais, pois mesmo após a abolição da escravatura em 1888, através da Lei Áurea, ainda havia um racismo institucional e a população seguia marginalizada.


Em 1833, na época chamada São Francisco de Paula, Pelotas se destacava pela produção de charque. O município tinha 9.830 negros, dos quais 5139 eram escravos, 3555 eram livres e 1136 estavam libertos. Já, logo após a lei de escravatura, em 1890, Pelotas havia crescido para 41.591 habitantes e a população negra e parda correspondia a 30,7% desse total. Tal número contribuiu para que a sociedade negra se unisse em sindicatos, grupos folclóricos e fundando então o seu próprio jornal.


O jornal circulava aos domingos, poderia assinado ou comprado em bancas, barbearias e no Mercado Central. Ele circulava não apenas em Pelotas, mas em Rio Grande, Canguçu, Bagé, Jaguarão e Alegrete, e tinha como objetivo retratar em suas páginas histórias e notícias sobre a população negra e operária, além de denunciar os casos de racismo no meio regional, nacional e até internacional. Também era espaço para divulgação de eventos da cultura afro. Na época de carnaval, eram publicadas letras de marchinhas e cobertura sobre a preparação para os eventos.


A Alvorada tornavam públicas discussões sobre negritude brasileira e a necessidade de união para enfrentar as questões sociais. Estamparam algumas páginas, discussões sobre a Fundação Frente Negra Brasileira, criada em 1931, e sobre a Frente Negra Pelotense, fundada em 1933, que tinha como objetivo principal a alfabetização de negros. Foram destaque artigos de intelectuais, como Antonio Baobab, que nasceu escravo, comprou a sua liberdade em 1880, e é considerado a figura inspiradora da formatação do jornal.


Até 1965 o jornal A Alvorada foi um espaço de representatividade, se tornando um dos grandes marcos da organização negra na cidade de Pelotas e um dos maiores jornais de imprensa negra do país. Ele contribuiu para a construção de uma identidade e foi um importante instrumento de luta.


Com informações de Revista Latino-Americana de História e Anais da ANPUH. Imagem de E-Cult. 


Assessoria ADUFPel

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