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Como a Desinformação é usada para gerar ganhos políticos e econômicos

Nos últimos anos, tem ganhado importância o debate sobre as Fake News (notícias falsas). Mecanismos que espalham Desinformação tornaram-se relevantes, especialmente, após as eleições de Donald Trump nos Estados Unidos e de Jair Bolsonaro no Brasil. Mas ainda há muita confusão sobre o que é, de fato, uma notícia falsa. E, mais ainda, sobre para que servem as Fake News.


Helena Martins, docente de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC) e militante do Coletivo Intervozes, que luta pela democratização da comunicação, acredita que o conceito mais correto a ser utilizado é o de Desinformação, já que Fake News não dá conta da complexidade do tema. 


“A Desinformação está associada a uma estratégia deliberada de provocar um caos informacional, de provocar um desencontro de informações para fins políticos e econômicos. A Desinformação não é ocasional, é deliberada para obter ganhos políticos e econômicos”, comenta a docente. “Há informação que pode ser considerada falsa por meio de meme, de vídeo, e não necessariamente apenas por meio de algo que simule uma notícia”, completa. 


Helena diferencia o que é uma notícia errada do que é Desinformação. A primeira, publicada em um veículo de comunicação, pode ser corrigida e gerar até direito de resposta. Já a segunda tenta se camuflar, fingindo-se de jornalismo para espalhar notícias falsas. 


“A Desinformação aparece quando se camufla mecanismos do jornalismo. É comum um link que parece um veículo conhecido, mas quando você clica, o site é diferente. Para identificar isso, é fundamental ler a notícia. A economia política das redes que existe hoje estimula uma lógica muito rápida. Há muita coisa circulando, e muitas vezes a gente sequer abre o link e já compartilha, sem olhar data, quem escreveu, etc”, afirma a professora de Comunicação da UFC, que é autora do livro “Comunicações em tempos de crise – economia e política”, publicado pela Expressão Popular.


A Desinformação nas eleições

As táticas de uso de Desinformação no processo eleitoral foram distintas nos Estados Unidos e no Brasil, ainda que guardem algumas semelhanças. Segundo Helena Martins, a campanha de Trump teve como estratégia a segmentação de anúncios e o direcionamento de conteúdos muito particulares, algo que está na base do fenômeno da Desinformação.


“De maneira ilegal, a empresa que servia a campanha do Trump, a Cambridge Analytica, começou a capturar dados de milhares de pessoas e passou a mapear os perfis. Sabendo do que elas gostavam, como interagiam, começou a direcionar anúncios a partir do que as pessoas queriam receber. Eles produziam cerca de 50 mil anúncios por dia, e eram enviados quase maneira individualizada para influenciar as pessoas”, cita.


Os resultados desse processo demonstram como é fundamental discutir a proteção de dados pessoais, buscando evitar que os dados e o comportamento (online e offline), possam ser utilizados por empresas para influenciar consumo e até opções políticas. 


Já na campanha de Jair Bolsonaro, a tática mais utilizada foi o disparo em massa por meio do Whatsapp, um mecanismo que não estava no centro do debate antes das eleições. “O mecanismo de disparo em massa foi criado a partir da utilização de dados, com grupos específicos para pessoas com perfis próximos. Parece ter havido ilegalidade não só na utilização de dados, como no financiamento desse sistema de disparos, que não consta na prestação de contas de Bolsonaro e foi pago por empresas e empresários que o apoiaram”, aponta a docente da UFC. 


“Pesquisas dão conta de que os conteúdos que mais circularam foram os desinformativos e as pessoas estão buscando sua informação justamente no Whastapp. Isso mostra que as pessoas estão construindo suas leituras e posicionamentos a partir do que recebem nessas redes”, conclui Helena Martins. 


Desinformação será pauta do Viração

A entrevista completa com Helena Martins será divulgada no programa Viração de segunda-feira (10). O Viração vai ao ar às 13h30, na RádioCom 104.5 FM, e também pode ser ouvido nos agregadores de Podcast, como Anchor e Spotify.


Assessoria ADUFPel com imagens de Pixabay e Arquivo Pessoal

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